A imagem não acaba quando a luz se apaga

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Pensamos quase sempre a imagem como um instante. A entrada numa sala. A fotografia. A primeira impressão. E faz sentido, até certo ponto, a primeira impressão é mesmo rápida, basta cerca de um décimo de segundo para quem nos observa formar um juízo inicial. O erro não está em valorizar o instante. Está em achar que a história acaba aí.

A imagem que fica de nós constrói-se depois, quando as câmaras se desligam, a reunião termina e já ninguém está a prestar atenção.

É aí, no depois, que a imagem deixa de ser aparência e passa a ser marca pessoal. E é também aí que está a lição mais útil para qualquer empresa.

O instante forma a impressão.

O depois forma a imagem.

Uma primeira impressão é fácil de produzir e fácil de perder. Vive enquanto dura o momento que a criou. A imagem é outra coisa, é o que as pessoas continuam a pensar de nós quando já não estamos presentes para gerir o efeito. Uma mede-se em segundos, a outra, em coerência.

A primeira impressão forma-se num décimo de segundo. A imagem que fica constrói-se nos dias a seguir a esse segundo.

Onde a metodologia TO BE® coloca a imagem

Na metodologia TO BE®, a marca pessoal assenta em cinco pilares: Identidade, Posicionamento, Imagem, Reputação e Comunicação.

A Imagem é o pilar que faz a ponte entre o que somos por dentro e o que os outros percebem por fora. E é também o mais mal interpretado, porque é quase sempre reduzido à aparência.

A aparência é só a camada visível. O pilar Imagem é muito mais do que isso é a história que as pessoas guardam de nós. E essa história escreve-se sobretudo no comportamento depois do momento é por aí que a Imagem se liga, diretamente, ao pilar da Reputação. A reputação, no fundo, é a imagem que sobreviveu ao tempo.

As duas camadas da imagem profissional

A imagem profissional constrói-se em camadas, e cada uma depende da anterior.

A primeira camada é o que se vê, o vestuário, a postura, a presença. O vestuário é uma linguagem não verbal que fala sobre nós antes de proferirmos uma única palavra. Esta camada é uma porta de entrada comunica logo a nossa competência, o nosso valor, a nossa promessa de marca, numa entrevista, numa reunião com um cliente, numa negociação.

A segunda camada é o comportamento. Uma porta de entrada é só uma entrada, o que fica de nós constrói-se a seguir, naquilo que fazemos. O comportamento é aquilo que transforma a imagem visual numa perceção. Não basta parecer competente, é preciso agir de forma a consolidar essa perceção.

Devemos considerar a coerência, é que sustenta tudo. A imagem só se confirma quando aquilo que fazemos longe dos olhos bate certo com aquilo que mostrámos à frente deles. Ser consistente entre o que se diz e o que se faz é o que torna a imagem autêntica. Quando o que mostramos e o que fazemos contam a mesma história, a imagem ganha verdade e a verdade é o que se transforma em reputação.

O que se vê abre a porta. O comportamento transforma essa imagem numa perceção. A coerência transforma-a em reputação.

A imagem que continua depois das luzes

A cimeira do G7 na semana anterior ofereceu uma ilustração quase perfeita, e é possível olhá-la sem qualquer juízo sobre o que ali se decidiu. Ficou uma fotografia oficial preparada, igual para todos. Mas, ao mesmo tempo, os microfones abertos captaram outra imagem conversas leves sobre futebol e o tempo, gestos espontâneos, felicitações trocadas entre líderes. O lado humano, longe da pose.

A fotografia oficial mostra a imagem que se quer dar. Os bastidores mostram a pessoa que se é. E esta é a lição mais difícil sobre a imagem profissional: no momento preparado, com toda a gente a ver, mostramos a melhor versão. O teste verdadeiro chega depois, quando deixa de haver incentivo para representar. A imagem que fica não é a da pose perfeita. É a coerência entre o que se mostra e quem se é quando ninguém parece estar a reparar.

O que qualquer empresa pode aprender com isto

A cena da cimeira repete-se, à escala de cada dia, dentro das organizações. E há aqui aprendizagens concretas para quem lidera, recruta ou representa uma marca.

A imagem de um profissional não acaba na apresentação cuidada. Continua no follow-up de uma reunião, na forma como trata quem não lhe pode ser útil, no tom de um email escrito a correr, no comportamento de corredor. São esses os bastidores onde a equipa e os clientes formam, de facto, a perceção.

A coerência entre o que se mostra e o que se faz é o que constrói confiança dentro das equipas e na relação com o exterior. Uma imagem visual impecável que não é confirmada pelo comportamento não reforça a reputação; expõe a distância entre as duas, e é essa distância que fica.

E há um ponto que as empresas tantas vezes esquecem a reputação de uma organização é, em grande parte, a soma das imagens profissionais coerentes das pessoas que a representam. Cada colaborador é uma porta de entrada para a marca. Trabalhar a imagem profissional das pessoas não é vaidade mas sim gestão de reputação organizacional.

Para aplicar esta semana

Da próxima vez que entrar numa reunião, fechar um projeto ou viver um momento importante, experimente trabalhar as duas camadas.

Primeira: trate a imagem visual com intenção, o que está a comunicar, antes de dizer uma palavra?

Segunda: lembre-se de que não basta parecer, é o comportamento que vem a seguir que confirma, ou desmente, a imagem que mostrou.

Quem cuida das duas camadas, de forma consistente, transforma boas impressões em boa reputação. E a reputação, ao contrário da impressão, não se apaga quando se apaga a luz.

A gestão de marca pessoal é uma decisão tomada todos os dias, sobretudo nos dias em que ninguém está a ver.

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