os bastidores da fotografia.

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Faz agora um ano que estava a ser fotografada para o meu livro.
Escolhi a Terceira. A ilha que sempre me abraçou.
Queria que fosse o olhar do Luís Godinho a registar-me. Um fotógrafo com um olhar honesto sobre aquilo que vê. Sabia que, se houvesse verdade naquela imagem, ele a encontraria.

Nada correu como planeado.
Dias de ensaios. Tentativas falhadas. Chuva constante. A ilha a fintar-nos os planos. A sensação clara de que o tempo não estava do nosso lado.

Até que, de repente, parou.
Nos Açores, as quatro estações podem existir no mesmo dia. Nunca soube explicar aquela luz. Não sei se era verão, outono, inverno ou primavera. Sei apenas que durou quinze minutos.

Quinze.
Entre a correria de tirar os rolos do cabelo, a maquilhagem sem retoques, os refletores segurados com as pernas porque não havia alternativa, percebemos os dois que era agora ou nunca.

Não sorri na fotografia.
E eu sorrio com facilidade.
Mas naquele momento estava cansada do ruído. Sabia que este tema não é para crianças nem para mentes distraídas. É para quem quer saber o que faz com a sua marca pessoal. Para quem não procura atalhos. Para quem escolhe ciência, estrutura e responsabilidade.

Quando olhei para a câmara, não vi o Luís.
Vi quinze anos de trabalho.
Tudo o que tinha feito de forma discreta.
E a decisão de, agora, me expor também pela escrita.



A fotografia saiu.
A cor da minha blusa tinha sido escolhida com base na psicologia da cor. Queria comunicar confiança, força, intemporalidade. Não houve cabeleireiro. Não houve produção excessiva. Apenas eu, o Luís e aquele instante irrepetível.
Foi ali que o livro também se escreveu.

Hoje, um ano depois dessa fotografia, sei que não foi apenas o registo de uma capa. Foi o início de um livro que já transformou marcas pessoais. E a minha.

A todos os que leram.
A todos os que se deram essa oportunidade.
Obrigada.
Foi por isso que o escrevi.

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